Se têm a verdade, guardem-na!

Para iniciar os posts de 2009, após um fim de ano um tanto turbulento nas bandas de cá, optei por uma famosa poesia de Fernando Pessoa, como Álvaro de Campos, num momento de libertação das ciências, da metafísica, e de tudo mais nesse mundo.













Lisbon Revisited

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

por André | 12 fevereiro 2009| 1 comentário »

Expectativas para a Campus Party 2009

Os destaques eu peguei do Sérgio Amadeu e os outros eu mesmo selecionei.

Desafios da inclusão digital
A ABCID, associação das Lan Houses brasileiras, irá realizar o I ENCONTRO BRASILEIRO DE CENTROS DE INCLUSÃO DIGITAL, que terá como tema “Lan houses e cyber cafés como os principais centros de acesso” e discutirá os desafios da inclusão digital no Brasil.  Dias 23 e 24 de janeiro.

Tim Berners-Lee
Outra: rumores indicam que Tim Berners-Lee, o criador da web, virá ao Campus Party Brasil 2009. Provavelmente falará sobre o futuro da rede e da web semântica. Atualmente, Tim Berners-Lee lidera o consórcio W3C que define os padrões da web.

Primeiro robô livre do planeta
Uma equipe coordenada pelo Prof. Alexandre da Silva Simões (UNESP) começou a construir o primeiro projeto colaborativo de construção de um robô livre. Ele será apresentado no Campus Party, por envolvidos e referências no assunto. A arquitetura de hardware, softwares e até mesmo seu design será aberta, sendo disponibilizada na rede para que possa ser aprimorada pela comunidade de colaboradores. Provavelmente no dia 21 de janeiro, no palco principal, na palestra-demonstração PROJETO ROBÔ LIVRE: COLABORAÇÃO SEM LIMITES.

Outros interessantes:
Mini-curso de montagem de robos móveis. Pra quem quiser criar um robô lavador de copos, cortador de papel higiênico, garçom de cerveja, etc. Dia 20.
Oficina de discotegam e Live. Dia 21.
Palestra sobre vida em Marte, com Andrea Sanchez. Dia 21.
Lançamento do livro “O futuro da música após a morte do CD”.  Dia 22.
Animação com GIMP. Essa deve ser bem técnica, mas como eu uso este soft, vou dar uma conferida.  Dia 22.
Palestra “Existe vida no universo?”, com Amâncio Friaça.  Essa promete polêmicas e reflexões !  Dia 23.
Mesa redonda: Os caminhos da nova música, com O Teatro Mágico, Eletrocooperativa, Clube Caiubi e Trama.  Não confirmaram todos.  E destes só conheço O Teatro Mágico e a Trama. Dia 23.

Baladas !
Creative party, festa com a banda Mega Driver, de game rock (!) e outras com músicas em Creative Commons.  Teatro mágico parece que estará presente também.
Show do Baque Bolado.
Electro Game Party.  Essa eu nem imagino.  Neste sentido, recomendo o som dos Plump DJs.

por Maurício | 16 dezembro 2008| Comente »

Campus Party Brasil 2009


Será realizada, entre os dias 19 e 25 de janeiro, a Campus Party Brasil 2009 . E dessa vez o lugar escolhido para abrigar o evento será o Centro de Exposições Imigrantes, localizado na cidade de São Paulo.

Campus Party é considerado o maior evento de inovação técnologica e entretenimento em rede do mundo. Ele acontece durante uma semana na Espanha desde 1997.
Após 11 anos, em sua 12ª edição, o evento se internacionalizou, e em 2008 o Brasil foi seu primeiro itnerário em “terras estrangeiras”.
No ano de 2009 o evento se repete por aqui, além de diversos países da América Latina, entre eles Argentina, Chile, Peru e México.

“O evento reúne durante sete dias milhares de participantes com seus próprios computadores (ou não) procedentes de diversos países, com a finalidade de compartilhar curiosidades, trocar experiências e realizar todo tipo de atividades relacionadas a tecnologia, a cultura digital e ao entretenimento em rede”.

A Campus Party tem um formato onde você pode se mudar “de mala e cuía” para o local durante essa semana, pois lá são fornecidos diversos serviços como locais para camping, higiene, alimentação, lazer, segurança e muita tecnologia.
Claro que você não precisa acampar no lugar, podendo ir para sua devida casa, hotél, ou coisa do tipo, e voltar no dia seguinte.
O serviço de alimentação é cobrado à parte (existe uma opção de serviço que custa R$150 e inclui desde o jantar do dia 19 de janeiro até o almoço do dia 25 de janeiro, sendo servidos café da manhã, almoço e jantar no restante dos dias).

O espaço é composto por diversas Áreas, Açoes Sociais, e é importante você ficar de olho na Agenda para não perder as atividades de seu maior interesse (ou não se perder).

“Participam do evento estudantes, professores, cientistas, jornalistas, pesquisadores, artistas, empresários e curiosos. Todos buscam as últimas novidades tecnológicas, a troca livre de conteúdos e o compartilhamento de experiências ligadas ao mundo digital”.

Nós do Digital Poiesis estaremos presentes na área Campusblog, de olho nas Palestras Interações conteúdo e autoridade na blogosfera brasileira” apresentada pelo Professor Alex Primo, “O Mundo Como Processo Colaborativo”, entre outras, sem contar as apresentações de robótica, simuladores, games, e se sobrar tempo, um campeonatinho de Pro-Evolution Soccer pra descontrair (porque não? rsrsrsrs).

por André | 4 dezembro 2008| Comente »

Heidegger surfou a onda eletrônica da mesma forma que Descartes cavalgou a onda mecânica


Mais uma vez recorro a conferência “Organismos, máquinas, e a máquina linguística.” de Róbson Ramos dos Reis (UFSM) apresentada no XIII Colóquio Heidegger, para trazer uma citação usada por ele que considero muito interessante.

Ela está presente no livro “A galáxia de Gutenberg - a formação do homem tipográfico” McLuhan, Marshall - São Paulo, Editora Nacional, Editora da USP [1972], no capítulo que leva exatamente o nome desse post “Heidegger desliza (surfe) sobre a onda eletrônica tão triunfalmente quanto Descartes sobre a onda mecânica” na tradução de Leônidas Gontijo de Carvalho e Anísio Teixeira.

“Parece estar Martin Heidegger em terreno mais sólido, ao tomar como totalidade da própria linguagem como o datum filosófico. Com efeito, na língua, pelo menos nos períodos do analfabetismo, é que se encontra o devido equilíbrio e harmonia entre todos os sentidos. Isto, porém, não é recomendar a analfabetização , do mesmo modo que não constituem julgamento contra a alfabetização o usos que fizeram da palavra impressa. Na realidade, Heidegger parece ignorar completamente o papel da tecnologia eletrônica em promover o seu próprio modo de ver a linguagem e a filosofia como fenômeno global ‘não-letrado’. Entusiasmo pelo excelente saber linguístico de Heidegger poderia, entretanto, facilmente ser provocado por simples e ingênua imersão no organicismo metafísico de nosso ambiente eletrônico. Se o mecanicismo de Descartes se afigura insignificante hoje, talvez seja pelos mesmos motivos subliminares que pareceu resplandecente em seu próprio tempo. Nesse sentido, todas as modas revelam certa espécie de sonambulismo e constituem meio de nos orientarmos criticamente quanto aos efeitos psíquicos da tecnologia.”

por André | 24 novembro 2008| 1 comentário »

II Simposio ABCiber transmitido ao vivo até o dia 13/11

Transmissões ao vivo das conferências:
diariamente, da 9h às 13h e das 19h às 21h

http://www.cencib.org/simposioabciber/aovivo.html

por André | 11 novembro 2008| Comente »

A criança

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas

Age como um deus doente, mas como um deus.

Porque embora afirme que existe o que não existe

Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,

Sabe que existir existe e não se explica,

Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,

Sabe que ser é estar em um ponto

Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Alberto Caeiro

A criança me remete obviamente aos homens. Que acreditam nas histórias de sua própria cultura. Determinada por e determinante das reflexões que eles fazem. Agimos como deuses e consideramos que o que existe é o que está existindo, sem maiores explicações. Só desconsideramos que refletir sobre o mundo é fazê-lo acontecer.

Agradecemos a Paulo Roberto Machado pela contribuição poética tão significativa ao conceito de poiesis.

por Maurício | 8 novembro 2008| 1 comentário »

Tecnologia X Dinheiro

“Quando entendermos que é a tecnologia criada pela engenhosidade humana o que liberta a humanidade e aumenta nossa qualidade de vida, percebemos então que o foco mais importante que podemos ter é o foco no gerenciamento inteligente dos recursos da Terra, pois são os recursos naturais os quais nós nos apropriamos dos materiais que possibilitam continuar nosso caminho de prosperidade.

Ao entender isso, podemos ver que o dinheiro existe fundamentalmente como um obstáculo a esse recursos, já que, na prática, tudo tem uma causa financeira.
E porque precisamos do dinheiro para manter esses recursos? Por causa de uma escassez real ou presumida.
Nós não pagamos pelo ar e pela água da torneira, pois são tão abundantes que vendê-los não faria sentido.
Então, logicamente falando, se os recursos e tecnologias aplicáveis à criação de tudo em nossas sociedades como casas, cidades e transporte existissem em abundância, não haveria motivo para vender nada.
Da mesma forma, se a automação e as máquinas fossem avançadas ao ponto em que humanos não precisassem trabalhar, não haveria porque ter um emprego.
Se cuidarmos desses aspectos sociais, não há motivo algum para o dinheiro existir.

Então a pergunta final permanece:

Nós na Terra temos, recursos suficientes e conhecimento tecnológico para criar uma sociedade de tal abundância, onde tudo que temos agora esteja disponível sem uma etiqueta de preço e sem a necessidade de submissão através de empregos?

Sim, nós temos!

Nós temos os recursos e a tecnologia para possibilitar isso, junto com a capacidade de elevar os padrões de vida de tal modo que as pessoas no futuro olharão para nossa civilização de agora e rirão do quão primitiva e imatura nossa sociedade era.”

Trecho extraído do polêmico documentário Zeitgeist Addendum, que pode ser assistido na íntegra em http://video.google.com/videoplay?docid=-1459932578939373300&hl=en

Acredito que independentemente de todas as conspirações polêmicas colocadas em tal video, a riqueza do trabalho consiste na possibilidade de propor perspectivas otimistas através do uso da tecnologia em diversos âmbitos como a economia, geração de energia, transporte, trabalho, diminuição de instrumentos de coerção e preservação do meio ambiente.

por André | 7 novembro 2008| Comente »

Novos mágicos

“É bem verdade que, desde Copérnico, o declínio do Sol não passa de ilusão de ótica. A ciência moderna sabe bem mais sobre isso. Declínios de Sol só existem para “poetas” e “apaixonados”. No lugar do encantamento do mundo surge um outro encantamento. Mágica é agora a própria “física”, assumida como o desempenho humano mais elevado. O homem se encanta agora consigo mesmo. O homem moderno é agora o mágico”.
(Heidegger 1998, p. 67)

Citação extraída da apresentação ;”Organismos, máquinas, e a máquina linguística”; de Róbson Ramos dos Reis (UFSM) no XIII Colóquio Heidegger

por André | 4 novembro 2008| Comente »

II Simpósio ABCiber


O II Simpósio Nacional da ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA será realizado na PUC-SP, no período de 10 a 13 de novembro de 2008. O evento é organizado pelo CENCIB - Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Comunicação e Cibercultura, do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica.

A lista dos trabalhos selecionados para apresentação já foi divulgada, o que significa que não é mais possível a inscrição de trabalhos nesse simpósio. De qualquer forma vale a pena se increver no evento com a possibilidade de filiar-se a ABCiber.

por André | 27 outubro 2008| Comente »

CiberPesquisa

O CIBERPESQUISA - Centro Internacional de Estudos e Pesquisa em Cibercultura faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da UFBA.

O CIBERPESQUISA foi criado em 1996 por André Lemos e Marcos Palacios, sendo o primeiro centro desse gênero no Brasil. Hoje o Centro está alocado na linha de pesquisa “Cibercultura” e acolhe três grupos de pesquisa credenciados pelo CNPq, a saber, o Grupo de Pesquisa em Cibercidade, coordenado pelo prof. André Lemos, o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online, coordenado pelo prof. Marcos Palacios e o Grupo de Pesquisa em Internet e Política, coordenado pelo Prof. Wilson Gomes. O CIBERPESQUISA tem vários convênios internacionais e nacionais e tem formado pesquisadores em nível de mestrado e doutorado por mais de uma década.

http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/

por André | 23 outubro 2008| Comente »

XIII Colóquio Heidegger - Natureza e realidade virtual


O XIII Colóquio Heidegger que acontece nos dias 30 e 31 de outubro na UNICAMP e na PUC-SP, tem esse ano o tema “Natureza e realidade virtual“.

O tema, que não poderia ser mais pertinente para esse blog, é desenvolvido em apresentações que prometem ser muito interessantes, como as conferências “A natureza tecnicamente produzida e seus riscos: da fabricação à destruição tecnológica dos humanos” - André Duarte (UFPR/CNPq), “O natufactual, o artefactual e o criado” - Zeljko Loparic (PUCSP/Unicamp), “Técnica e realidade virtual: Heidegger e Pierre Lévy” - Edgar Lyra (PUC-Rio), entre outras.

Para saber mais informações clique aqui para ir para o site do evento. Lá estão disponíveis a programação, apresentação, propostas, histórico, etc.

por André | 11 outubro 2008| 1 comentário »

III Jornada do NPPI


Aconteceu dia 20 de setembro na PUC-SP, a III Jornada do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP)

Os objetivos desse evento foram incentivar a produção de trabalhos produzidos acerca das interfaces Psicologia/Informática que possam colaborar para o avanço do campo, incluir trabalhos de diversas áreas do conhecimento para o diálogo com a Psicologia, e divulgar referências produzidas no âmbito da Psicologia e Informática.

Trabalhos com diferentes temáticas foram apresentados, os quais você pode conhecer fazendo aqui o download dos anais do evento.

por André | 8 outubro 2008| Comente »

O que é poiesis?

Poiesis é uma palavra de origem grega que significa “fazer” ou “criar”. Indicava a ação humana de transformar a natureza e “continuar” o mundo.
É a raíz da moderna “poesia”, cujo trabalho concilia homem e mundo pela união do pensamento com significado e tempo.

Martin Heidegger se refere a este conceito como um “trazendo-adiante” (’bringing-forth‘). Ele explica poiesis como o desabrochar da flor, a saída de uma borboleta de seu casulo, o momento de êxtase quando algo se move pra longe de sua posição, assim como quando algo se transforma em outra coisa.

João Augusto Pompéia, citando Platão, diz:
‘Poesia é um conceito múltiplo. Em geral se denomina criação ou poesia a tudo aquilo que passa da não-existência à existência. Poesia são as criações que se fazem em todas as artes. Dá-se o nome de poeta ao artífice que realiza essas criações.’
Poiesis é um levar à luz, é trazer algo para a desocultação.”

Poiesis pode significar o retorno ao encontro direto homem-mundo, encontro que sempre se deu e se dá, mas que é escondido pelo excesso de luz. Permitir o des-encobrimento do fluir homem-mundo é um ato de humildade com relação à vida. É ao mesmo tempo aceitar nossa condenação e nosso papel de cúmplice na criação do mundo e da realidade.

Um brinde aos que ousam fechar os olhos, para enfim poder ver! ”. Essa é de Paulo Roberto Machado.

Neste blog, vamos ler poiesis como a atividade prática que ocupa o homem quando ele produz algo: seus artefatos (como a tecnologia), os produtos da arte (como o artesanato ou poesia), as convenções sociais e até mesmo os significados das coisas. Ela é aqui entendida como criação.

Os humanos produzem sua tecnologia com um objetivo que estará sempre em torno de controlar o mundo e a natureza. Ele atribui significados e fins às coisas e as disseca questionando-se “como isso funciona?”
Desde as primeiras revoluções em prol da modernidade e da incorporação da tecnologia no cotidiano, o homem vem se deslumbrando com suas máquinas e artefatos. E chegamos hoje em um momento em que mesmo suas criações já se desvinculam dos sentidos primários que lhes foram atribuídos. Hoje desenvolvemos mais tecnologia porque nos adaptamos a isso. Mas a reflexão crítica e a verdadeira contribuição ao desenvolvimento da humanidade parece ter se perdido. Sabemos como avançar, mas não sabemos por que devemos prosseguir ou mesmo para onde estamos indo.

Neste blog, vamos discutir estas questões: como promover processos mais democráticos de desenvolvimento de tecnologia? Como as novas tecnologias do século XXI, interferem neste processo? Para onde estamos caminhando? Quem é esse homem que se apresenta na realidade contemporânea e qual seu sentido?

Fontes:
POMPÉIA, João Augusto e SAPIENZA, Bilê Tatit. “Na presença do Sentido - Uma aproximação fenomenológica a questões existenciais básicas.” São Paulo: EDUC/Paulus, 2004.

Wikipedia: poiesis

Paulo Roberto Machado, psicólogo e consultor em comportamento da revista Gloss.

por Maurício | 2 outubro 2008| 2 comentários »

Ciborgues?

Ao aceitarmos que os gregos interpretam o ser como tal através do conceito de fabricação técnica (ver post sobre Filosofia da Tecnologia), entendemos que, para eles, a tecnologia contém a chave da compreensão do ser como um todo.
Horkheimer, em 1937, no texto Teoria tradicional e teoria crítica, ao comentar que o saber teórico sobre algo aparece posteriormente à codeterminação do mesmo pelas representações e conceitos humanos, isto é, que “o saber aplicado e disponível está sempre contido na práxis social”, o autor se utiliza de um exemplo, no mínimo interessante, para auxiliar o entendimento da questão.

“O próprio aparelho fisiológico dos sentidos do homem trabalha já há tempos detalhadamente nos experimentos físicos. A maneira pela qual as partes são separadas ou reunidas na observação registradora, o modo pela qual algumas passam desapercebidas, e outras destacadas, é igualmente resultado do moderno modo de produção, assim como a percepção de um homem de uma tribo qualquer de caçadores ou pescadores primitivos é o resultado das suas condições de existência, e, portanto, indubitavelmente também do objeto. Em relação a isso poder-se-ia inverter a frase: as ferramentas são prolongamentos dos órgãos humanos, na frase: os órgãos humanos são também prolongamentos das ferramentas. Nas etapas mais elevadas da civilização a práxis humana consciente determina inconscientemente não apenas o lado subjetivo da percepção, mas em maior medida também o objeto. O que o membro da sociedade capitalista vê diariamente a sua volta: conglomerados habitacionais, fábricas, algodão, gado de corte, seres humanos, e não só estes objetos como também os movimentos, nos quais são percebidos, de trens subterrâneos, elevadores, automóveis, aviões, etc., tem este mundo sensível os traços do trabalho consciente em si; não é mais possível distinguir entre o que pertence à natureza inconsciente e o que pertence a práxis social. Mesmo quando se trata da experiência com objetos naturais como tal, sua naturalidade é determinada pelo contraste com o mundo social, e nesta medida dele depende. “

Horkheimer, Max, Teoria tradicional e teoria crítica. In Benjamin, Walter;
Horkheimer, Max; Habermas, Jürgen; Adorno, Theodor. Textos escolhidos.
São Paulo: Abril Cultural, 1980 (Os Pensadores).

por André | 28 setembro 2008| Comente »

Para os resistentes às novas tecnologias

Este livro de Manuel Castells é excelente. Linguagem de fácil digestão e conteúdo bastante abrangente. Escrito em 2001, ainda se apresenta bastante atual, pois o autor é extremamente cauteloso com relação a previsões. Trata basicamente de um apanhado geral sobre o advento da internet, novos paradigmas nos negócios e na sociedade. Conta sua história, apresenta a realidade social e a sociedade de rede, a presença e o papel do Estado e das instituições políticas, privacidade e liberdade de expressão, a atuação dos conglomerados urbanos na web e exclusão digital.

Para finalizar, o autor deixa certa inquietação no ar, para aqueles que rejeitam a sociedade de rede.
“Imagino que alguém possa dizer: ‘Por que você não me deixa em paz? Não quero ter nada a ver com sua Internet, sua civilização tecnológica ou sua sociedade de rede! Só quero viver a minha vida!’ Bem, se esta é sua posição, tenho más notícias para você. Se você não se importa com as redes, as redes se importarão com você, de todo modo. Pois, enquanto quiser viver em sociedade, neste tempo e lugar, você terá de estar às voltas com a sociedade de rede. Porque vivemos na Galáxia da Internet.”

CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet. R. Janeiro, Jorge Zahar, 2003.

por Maurício | 26 setembro 2008| Comente »

Bibliografia de Cibercultura

Estreou no mês de agosto o blog Bibliografia de Cibercultura, de Alex Primo, professor de Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Este projeto tem a função de disponibilizar indicações de uma bibliografia básica sobre o tema da cibercultura.
O blog sugere diversos livros e capitulos, todos eles divididos por temas como hipertexto, redes sociais online, web 2.0, inteligência coletiva, entre outros.
Para quem tem interesse na área, é uma boa recomendação.

http://bibliografiadecibercultura.blogspot.com/

por André | 23 setembro 2008| Comente »

O livro multicolorido de Karnak


A banda Karnak (capitaneada por André Abujamra), que acabou mas não morreu, lançou em 2007 um longa metragem ficciomentário musical.
O projeto tem a intenção de ser totalmente gratuito, e o video pode ser baixado do site, ou assistido em streaming.
A noticia é velha mas é boa. Como eu e o Mauricio somos fãs da banda, acho que ainda vale o post.
Segue o link abaixo.

http://filmes.marluco.com/karnak/

por André | 19 setembro 2008| Comente »

web 2.0

Um pequeno vídeo de Michael Wesch, professor de antropologia de Kansas City, sobre a linguagem web e as práticas colaborativas

por Maurício | 18 setembro 2008| 3 comentários »

Pensamento

“Viver num panóptico eletrônico equivale a ter metade de nossas vidas permanentemente exposta a monitoramento. Como vivemos existências compósitas, essa exposição pode nos levar a um eu esquizofrênico, dividido entre o que somos off-line e a imagem que temos de nós mesmos on-line, que assim internaliza a censura.”

Manuel Castells em “A galáxia da internet”, 2001.
por Maurício | 18 setembro 2008| Comente »

O que é a Filosofia da Tecnologia?

Conferência pronunciada por Andrew Feenberg, para os estudantes universitários de Komaba, junho, 2003, sob o título de “What is Philosophy of Technology?”. Tradução de Agustín Apaza, com revisão de Newton Ramos-de-Oliveira.


http://www-rohan.sdsu.edu/faculty/feenberg/oquee.htm

por André | 16 setembro 2008| 1 comentário »

Alletsator


Conheça Alletsator, a ópera quântica de Pedro Barbosa e Luis Carlos Petry.

Este projeto possui características diferenciadas, como o fato de ter sido criado originalmente como espetáculo teatral, cujo texto foi escrito por um motor textual (isso mesmo, gerado por um computador!), e posteriormente recriado num ambiente 3D em forma de jogo.
Alletsator, encaixa-se no conceito de “serious game”, onde não há um objetivo predefinido, e sim um “espectador” que protagoniza a história, e escolhe uma sequência narrativa de infinitas possibilidades.

http://po-ex.net/alletsator/

por André | 16 setembro 2008| 1 comentário »

Entrevista com Pierre Lévy no Roda Viva


Entrevista gravada em 2001, com o filosófo francês Pierre Lévy, autor do livro Cibercultura, entre outros.

http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/47/entrevistados/pierre_levy_2001.htm

por André | 16 setembro 2008| Comente »