II Simposio ABCiber transmitido ao vivo até o dia 13/11
Transmissões ao vivo das conferências:
diariamente, da 9h às 13h e das 19h às 21h
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A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.
Alberto Caeiro
A criança me remete obviamente aos homens. Que acreditam nas histórias de sua própria cultura. Determinada por e determinante das reflexões que eles fazem. Agimos como deuses e consideramos que o que existe é o que está existindo, sem maiores explicações. Só desconsideramos que refletir sobre o mundo é fazê-lo acontecer.
Agradecemos a Paulo Roberto Machado pela contribuição poética tão significativa ao conceito de poiesis.
“Quando entendermos que é a tecnologia criada pela engenhosidade humana o que liberta a humanidade e aumenta nossa qualidade de vida, percebemos então que o foco mais importante que podemos ter é o foco no gerenciamento inteligente dos recursos da Terra, pois são os recursos naturais os quais nós nos apropriamos dos materiais que possibilitam continuar nosso caminho de prosperidade.
Ao entender isso, podemos ver que o dinheiro existe fundamentalmente como um obstáculo a esse recursos, já que, na prática, tudo tem uma causa financeira.
E porque precisamos do dinheiro para manter esses recursos? Por causa de uma escassez real ou presumida.
Nós não pagamos pelo ar e pela água da torneira, pois são tão abundantes que vendê-los não faria sentido.
Então, logicamente falando, se os recursos e tecnologias aplicáveis à criação de tudo em nossas sociedades como casas, cidades e transporte existissem em abundância, não haveria motivo para vender nada.
Da mesma forma, se a automação e as máquinas fossem avançadas ao ponto em que humanos não precisassem trabalhar, não haveria porque ter um emprego.
Se cuidarmos desses aspectos sociais, não há motivo algum para o dinheiro existir.
Então a pergunta final permanece:
Nós na Terra temos, recursos suficientes e conhecimento tecnológico para criar uma sociedade de tal abundância, onde tudo que temos agora esteja disponível sem uma etiqueta de preço e sem a necessidade de submissão através de empregos?
Sim, nós temos!
Nós temos os recursos e a tecnologia para possibilitar isso, junto com a capacidade de elevar os padrões de vida de tal modo que as pessoas no futuro olharão para nossa civilização de agora e rirão do quão primitiva e imatura nossa sociedade era.”
Trecho extraído do polêmico documentário Zeitgeist Addendum, que pode ser assistido na íntegra em http://video.google.com/videoplay?docid=-1459932578939373300&hl=en
Acredito que independentemente de todas as conspirações polêmicas colocadas em tal video, a riqueza do trabalho consiste na possibilidade de propor perspectivas otimistas através do uso da tecnologia em diversos âmbitos como a economia, geração de energia, transporte, trabalho, diminuição de instrumentos de coerção e preservação do meio ambiente.
“É bem verdade que, desde Copérnico, o declínio do Sol não passa de ilusão de ótica. A ciência moderna sabe bem mais sobre isso. Declínios de Sol só existem para “poetas” e “apaixonados”. No lugar do encantamento do mundo surge um outro encantamento. Mágica é agora a própria “física”, assumida como o desempenho humano mais elevado. O homem se encanta agora consigo mesmo. O homem moderno é agora o mágico”.
(Heidegger 1998, p. 67)
O II Simpósio Nacional da ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA será realizado na PUC-SP, no período de 10 a 13 de novembro de 2008. O evento é organizado pelo CENCIB - Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Comunicação e Cibercultura, do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica.
A lista dos trabalhos selecionados para apresentação já foi divulgada, o que significa que não é mais possível a inscrição de trabalhos nesse simpósio. De qualquer forma vale a pena se increver no evento com a possibilidade de filiar-se a ABCiber.
O CIBERPESQUISA - Centro Internacional de Estudos e Pesquisa em Cibercultura faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da UFBA.
O CIBERPESQUISA foi criado em 1996 por André Lemos e Marcos Palacios, sendo o primeiro centro desse gênero no Brasil. Hoje o Centro está alocado na linha de pesquisa “Cibercultura” e acolhe três grupos de pesquisa credenciados pelo CNPq, a saber, o Grupo de Pesquisa em Cibercidade, coordenado pelo prof. André Lemos, o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online, coordenado pelo prof. Marcos Palacios e o Grupo de Pesquisa em Internet e Política, coordenado pelo Prof. Wilson Gomes. O CIBERPESQUISA tem vários convênios internacionais e nacionais e tem formado pesquisadores em nível de mestrado e doutorado por mais de uma década.

O XIII Colóquio Heidegger que acontece nos dias 30 e 31 de outubro na UNICAMP e na PUC-SP, tem esse ano o tema “Natureza e realidade virtual“.
O tema, que não poderia ser mais pertinente para esse blog, é desenvolvido em apresentações que prometem ser muito interessantes, como as conferências “A natureza tecnicamente produzida e seus riscos: da fabricação à destruição tecnológica dos humanos” - André Duarte (UFPR/CNPq), “O natufactual, o artefactual e o criado” - Zeljko Loparic (PUCSP/Unicamp), “Técnica e realidade virtual: Heidegger e Pierre Lévy” - Edgar Lyra (PUC-Rio), entre outras.
Para saber mais informações clique aqui para ir para o site do evento. Lá estão disponíveis a programação, apresentação, propostas, histórico, etc.

Aconteceu dia 20 de setembro na PUC-SP, a III Jornada do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP)
Os objetivos desse evento foram incentivar a produção de trabalhos produzidos acerca das interfaces Psicologia/Informática que possam colaborar para o avanço do campo, incluir trabalhos de diversas áreas do conhecimento para o diálogo com a Psicologia, e divulgar referências produzidas no âmbito da Psicologia e Informática.
Trabalhos com diferentes temáticas foram apresentados, os quais você pode conhecer fazendo aqui o download dos anais do evento.
Poiesis é uma palavra de origem grega que significa “fazer” ou “criar”. Indicava a ação humana de transformar a natureza e “continuar” o mundo.
É a raíz da moderna “poesia”, cujo trabalho concilia homem e mundo pela união do pensamento com significado e tempo.
Martin Heidegger se refere a este conceito como um “trazendo-adiante” (’bringing-forth‘). Ele explica poiesis como o desabrochar da flor, a saída de uma borboleta de seu casulo, o momento de êxtase quando algo se move pra longe de sua posição, assim como quando algo se transforma em outra coisa.
João Augusto Pompéia, citando Platão, diz:
“‘Poesia é um conceito múltiplo. Em geral se denomina criação ou poesia a tudo aquilo que passa da não-existência à existência. Poesia são as criações que se fazem em todas as artes. Dá-se o nome de poeta ao artífice que realiza essas criações.’
Poiesis é um levar à luz, é trazer algo para a desocultação.”
Poiesis pode significar o retorno ao encontro direto homem-mundo, encontro que sempre se deu e se dá, mas que é escondido pelo excesso de luz. Permitir o des-encobrimento do fluir homem-mundo é um ato de humildade com relação à vida. É ao mesmo tempo aceitar nossa condenação e nosso papel de cúmplice na criação do mundo e da realidade.
“Um brinde aos que ousam fechar os olhos, para enfim poder ver! ”. Essa é de Paulo Roberto Machado.
Neste blog, vamos ler poiesis como a atividade prática que ocupa o homem quando ele produz algo: seus artefatos (como a tecnologia), os produtos da arte (como o artesanato ou poesia), as convenções sociais e até mesmo os significados das coisas. Ela é aqui entendida como criação.
Os humanos produzem sua tecnologia com um objetivo que estará sempre em torno de controlar o mundo e a natureza. Ele atribui significados e fins às coisas e as disseca questionando-se “como isso funciona?”
Desde as primeiras revoluções em prol da modernidade e da incorporação da tecnologia no cotidiano, o homem vem se deslumbrando com suas máquinas e artefatos. E chegamos hoje em um momento em que mesmo suas criações já se desvinculam dos sentidos primários que lhes foram atribuídos. Hoje desenvolvemos mais tecnologia porque nos adaptamos a isso. Mas a reflexão crítica e a verdadeira contribuição ao desenvolvimento da humanidade parece ter se perdido. Sabemos como avançar, mas não sabemos por que devemos prosseguir ou mesmo para onde estamos indo.
Neste blog, vamos discutir estas questões: como promover processos mais democráticos de desenvolvimento de tecnologia? Como as novas tecnologias do século XXI, interferem neste processo? Para onde estamos caminhando? Quem é esse homem que se apresenta na realidade contemporânea e qual seu sentido?
Fontes:
POMPÉIA, João Augusto e SAPIENZA, Bilê Tatit. “Na presença do Sentido - Uma aproximação fenomenológica a questões existenciais básicas.” São Paulo: EDUC/Paulus, 2004.
Paulo Roberto Machado, psicólogo e consultor em comportamento da revista Gloss.
Ao aceitarmos que os gregos interpretam o ser como tal através do conceito de fabricação técnica (ver post sobre Filosofia da Tecnologia), entendemos que, para eles, a tecnologia contém a chave da compreensão do ser como um todo.
Horkheimer, em 1937, no texto Teoria tradicional e teoria crítica, ao comentar que o saber teórico sobre algo aparece posteriormente à codeterminação do mesmo pelas representações e conceitos humanos, isto é, que “o saber aplicado e disponível está sempre contido na práxis social”, o autor se utiliza de um exemplo, no mínimo interessante, para auxiliar o entendimento da questão.
“O próprio aparelho fisiológico dos sentidos do homem trabalha já há tempos detalhadamente nos experimentos físicos. A maneira pela qual as partes são separadas ou reunidas na observação registradora, o modo pela qual algumas passam desapercebidas, e outras destacadas, é igualmente resultado do moderno modo de produção, assim como a percepção de um homem de uma tribo qualquer de caçadores ou pescadores primitivos é o resultado das suas condições de existência, e, portanto, indubitavelmente também do objeto. Em relação a isso poder-se-ia inverter a frase: as ferramentas são prolongamentos dos órgãos humanos, na frase: os órgãos humanos são também prolongamentos das ferramentas. Nas etapas mais elevadas da civilização a práxis humana consciente determina inconscientemente não apenas o lado subjetivo da percepção, mas e
m maior medida também o objeto. O que o membro da sociedade capitalista vê diariamente a sua volta: conglomerados habitacionais, fábricas, algodão, gado de corte, seres humanos, e não só estes objetos como também os movimentos, nos quais são percebidos, de trens subterrâneos, elevadores, automóveis, aviões, etc., tem este mundo sensível os traços do trabalho consciente em si; não é mais possível distinguir entre o que pertence à natureza inconsciente e o que pertence a práxis social. Mesmo quando se trata da experiência com objetos naturais como tal, sua naturalidade é determinada pelo contraste com o mundo social, e nesta medida dele depende. “
Horkheimer, Max, Teoria tradicional e teoria crítica. In Benjamin, Walter;
Horkheimer, Max; Habermas, Jürgen; Adorno, Theodor. Textos escolhidos.
São Paulo: Abril Cultural, 1980 (Os Pensadores).
Este livro de Manuel Castells é excelente. Linguagem de fácil digestão e conteúdo bastante abrangente. Escrito em 2001, ainda se apresenta bastante atual, pois o autor é extremamente cauteloso com relação a previsões. Trata basicamente de um apanhado geral sobre o advento da internet, novos paradigmas nos negócios e na sociedade. Conta sua história, apresenta a realidade social e a sociedade de rede, a presença e o papel do Estado e das instituições políticas, privacidade e liberdade de expressão, a atuação dos conglomerados urbanos na web e exclusão digital.
Para finalizar, o autor deixa certa inquietação no ar, para aqueles que rejeitam a sociedade de rede.
“Imagino que alguém possa dizer: ‘Por que você não me deixa em paz? Não quero ter nada a ver com sua Internet, sua civilização tecnológica ou sua sociedade de rede! Só quero viver a minha vida!’ Bem, se esta é sua posição, tenho más notícias para você. Se você não se importa com as redes, as redes se importarão com você, de todo modo. Pois, enquanto quiser viver em sociedade, neste tempo e lugar, você terá de estar às voltas com a sociedade de rede. Porque vivemos na Galáxia da Internet.”
CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet. R. Janeiro, Jorge Zahar, 2003.
Estreou no mês de agosto o blog Bibliografia de Cibercultura, de Alex Primo, professor de Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Este projeto tem a função de disponibilizar indicações de uma bibliografia básica sobre o tema da cibercultura.
O blog sugere diversos livros e capitulos, todos eles divididos por temas como hipertexto, redes sociais online, web 2.0, inteligência coletiva, entre outros.
Para quem tem interesse na área, é uma boa recomendação.
http://bibliografiadecibercultura.blogspot.com/

A banda Karnak (capitaneada por André Abujamra), que acabou mas não morreu, lançou em 2007 um longa metragem ficciomentário musical.
O projeto tem a intenção de ser totalmente gratuito, e o video pode ser baixado do site, ou assistido em streaming.
A noticia é velha mas é boa. Como eu e o Mauricio somos fãs da banda, acho que ainda vale o post.
Segue o link abaixo.
“Viver num panóptico eletrônico equivale a ter metade de nossas vidas permanentemente exposta a monitoramento. Como vivemos existências compósitas, essa exposição pode nos levar a um eu esquizofrênico, dividido entre o que somos off-line e a imagem que temos de nós mesmos on-line, que assim internaliza a censura.”
Conferência pronunciada por Andrew Feenberg, para os estudantes universitários de Komaba, junho, 2003, sob o título de “What is Philosophy of Technology?”. Tradução de Agustín Apaza, com revisão de Newton Ramos-de-Oliveira.

Conheça Alletsator, a ópera quântica de Pedro Barbosa e Luis Carlos Petry.
Este projeto possui características diferenciadas, como o fato de ter sido criado originalmente como espetáculo teatral, cujo texto foi escrito por um motor textual (isso mesmo, gerado por um computador!), e posteriormente recriado num ambiente 3D em forma de jogo.
Alletsator, encaixa-se no conceito de “serious game”, onde não há um objetivo predefinido, e sim um “espectador” que protagoniza a história, e escolhe uma sequência narrativa de infinitas possibilidades.

Entrevista gravada em 2001, com o filosófo francês Pierre Lévy, autor do livro Cibercultura, entre outros.
http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/47/entrevistados/pierre_levy_2001.htm